Brasil e EUA definem data de reunião para discutir tarifaço
Retomada das tratativas foi acertada durante telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira (21)

Brasil e EUA marcam reunião para discutir impasse sobre tarifas comerciais
Encontro virtual na próxima segunda-feira (31) busca solucionar disputa gerada por sobretaxas americanas a produtos brasileiros, que afetam US$ 6,6 bilhões em exportações.
Representantes do Brasil e dos Estados Unidos têm uma reunião virtual marcada para a próxima segunda-feira (31), às 14h30 (horário de Brasília), para discutir as tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. O encontro foi confirmado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e reunirá o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
A retomada do diálogo foi acertada durante um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na última sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e ocorreu de forma cordial, abrindo um novo canal de negociação entre Brasília e Washington.
Durante a ligação, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações e classificou como infundadas as justificativas dos EUA para a aplicação das tarifas. Lula argumentou que as sobretaxas prejudicam a economia de ambos os países e reforçou a importância do diálogo para preservar a relação comercial bilateral. Por sua vez, o presidente Donald Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou positivamente para a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.
As justificativas e o impacto das tarifas
As sobretaxas foram impostas em julho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após cerca de um ano de análise. A justificativa foi que certas práticas adotadas pelo Brasil eram "descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses".
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Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a:
- Desmatamento
- Acordos preferenciais
- Propriedade intelectual
- Combate à corrupção
- O sistema Pix
- Etanol
- Importações de produtos associados a trabalho forçado
Inicialmente, foi aplicada uma tarifa de 25% sobre uma vasta gama de produtos, incluindo exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos e maquinários. Posteriormente, uma taxa adicional de 12,5% foi imposta sob a alegação de que o Brasil não possui mecanismos eficazes contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
De acordo com um levantamento do Mdic, as novas tarifas em vigor atingem um total de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Próximos passos e contexto
Paralelamente à via diplomática, o governo brasileiro já havia apresentado um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial de Comércio (OMC), argumentando que as tarifas são "inconsistentes" com as regras internacionais. Os EUA aceitaram participar das consultas no âmbito da organização.
O Brasil também tem reforçado que, na balança comercial entre os dois países, os Estados Unidos possuem superávit, ou seja, vendem mais para o Brasil do que compram. Em nota, o governo brasileiro afirmou que seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas à economia e à renda da população.


